Rascunhos de algo

Pensamentos em busca de expressão

O que é o nada? O que é o tudo?

branco-e-pretoPartindo do pressuposto que as palavras são instrumentos de comunicação do ser humano, é justo dizer que ela surgiu de uma necessidade do homem de expressar idéias, portanto, para o ser humano ter criado as palavras “tudo” e “nada” ele tinha que ter um propósito para elas. Também é justo dizer que essa necessidade tem origem no cotidiano da pessoa que o cria, como o “nada”, no seu sentido absoluto, não condiz com o cotidiano de nenhuma pessoa, o seu sentido absoluto não poderia existir. Entendendo as limitações do homem, de conhecer o tudo e o nada, o nada seria apenas uma percepção de ausência ou irrelevância, individual ou coletiva, circunstancial ou não. No momento em que se passa a mão no ar, na prática, não se sente nada, no entanto não sentir nada é uma característica de algo existente, o ar, nesse caso o “nada” seria uma percepção de ausência, coletiva(uma convenção) e não-circunstancial. Outro exemplo seria uma pessoa com um problema grave, tentando resolve-lo, surge outro bem menor, o segundo problema não teria importância alguma diante do outro, seria simplesmente nada, assim, o “nada” é uma percepção de irrelevância, individual e circunstancial. Logo o “nada” em si não é nada. Já o “tudo” seria simplesmente o oposto da definição de “nada”, a universalização das coisas, a soma do conhecido com o desconhecido, a existência absoluta. Mesmo diante de tal complexidade, não se pode esquecer da essência do “tudo” e do “nada”, são apenas palavras, servem em um contexto para expressar idéias.

 

                                                                                      Gerson Sena

Fevereiro 23, 2009 Publicado por gelssu | Introspecção | | 1 Comentário

Brazil for sale

           O estilhaço do fuzil russo atinge a mulher, que nunca mais andará, nem ficará ao menos de pé. A criança geme no porão, bomba de fabricação americana matou a mãe, o pai e o irmão. Arma inteligente, manobrada pelo super soldado, ouvindo rock ‘n’ roll, dispara, e arranque braço, do menino de 9 anos que queria entender o q fez pra Alá para isso acontecer. A guerra é cinza e negativa, na grande São Paulo cresce e procria, e o ódio domina, dia após dia, todo mundo trabalhando pra ter um dinheiro a mais, e poder sair daqui sem olhar pra trás.

Enquanto isso, perante uma câmera comprada com dinheiro que um dia seria usado para educação, a apresentadora vadia passeia pela favela e só quer falar das alegrias, como se fosse possível sorrir vendo o rato roer seu único saco de arroz, que o ex-metalúrgico jurou que não ficaria mais caro, mas ficou. O tênis Nike 12 molas, sua camisa Rebook e sua calça Adidas fazem mães chorar da África à Arábia Saudita.

Parece até piada, a classe média tá assustada, o monstro dessa vez não é preto, pobre nem fracassado. E agora qual vai ser o próximo recado?

O fuzil patenteado vem com patrocínio, McDonald’s, Shell, Bayer, para matar os filhos do homem que cria cabras e não consegue entender por que chove míssil no deserto, quem vai responder? Empresário faz doação de lixo pra campanha da ONG que só coleciona troféu, conta criança por cabeça e aparece todo dia na mídia. Mas na vida real, muleque analfabeto vai saber dar seqüência de tiro para quebrar o vidro à prova de esmola.

A legião da boa vontade compra até canal de televisão, mas não tira a menina da rua. Por isso que a polícia vai ter de pedir seguro pro exército, ou vai ser metralhada enquanto dorme no serviço, por isso que o apresentador vai ter de escrever criticando o assalto sofrido, não sabendo em que mundo vive.  Por isso o administrador é seqüestrado, e acaba sendo pela polícia assassinado, arrastado como bicho e no fim ainda chamado pelo secretário de segurança de “indivíduo”.

O caso Isabella chama atenção, pros políticos aprovar a divisão do décimo-terceiro salário em treze prestações. Os três porquinhos do conto de fadas são presos, mas quem pede pra sair são os delegados. Tudo é desculpa, no país, qualquer brasileiro tem direito de trabalhar no circo de solé, ou sei lá como se escreve isso, pago pelos nossos impostos pra dar show pra puxa-saco do Bradesco. Talvez para honrar o dinheiro roubado do congresso, talvez para cobrir o escândalo do sexo.

Em julho de 1986 sofria o Afeganistão, guerra contra os soviéticos contra a invasão. Meses depois pelos americanos foram ajudados, agora quem joga bomba são os próprios aliados. Vai entender, treinaram o Saddam e o enforcaram, vai entender. Enquanto a Palestina é uma eterna nação ocupada, são muitos os mortos na faixa de gaza, e no bar a propaganda de cerveja mostra a mulher que o computador corrigiu, que você olha sem parar enquanto não luta pra fazer sua família funcionar. Aquela mesma mulher que toma anticoncepcional e te espera toda noite com um prato diferente e com um sorriso assim meio amarelo.

Promotor passeia pela avenida paulista, recém formada, e faz pose de algo que na cidade conseguiu, grande piada. Junta a família, desce pra praia, cuida só do seu pedaço, prepara os próprios amigos, faz churrasco, brinca de artista, rabisca quadro, fala mais do que pensa e põe na conta do estado.

Uma criança morta na china também é minha filha, um velhinho polonês assassinado a sangue frio pra mim também é um avô, talvez um tio. Só, assim creio eu, um vai viver pelo outro, e se existir Deus e ele voltar, talvez valha a pena resgatar esse povo.

Começar um mundo melhor pra nossos pivetes um di conhecer, crescer, uma letra, atitude, um tempo vago para somar, começando pelo seu bairro, sua rua, e até seu lar, fazendo a vida valer a pena e no final falar, eu fiz a diferença, eu somei pra tudo melhorar.

Bom, vou terminar assim, com uma pequena ponta de esperança, vou mentir no final pra deixar vocês mais contentes, com sensação de esperança, e tocar suas vidas de boa, afinal a luz do não apagou, né?   

            

                                                                                  Autor: Ferréz, escritor, colunista da Caros amigos.

Setembro 3, 2008 Publicado por gelssu | Outros autores | | Sem comentários ainda

Escutar ou não escutar? Eis a questão.

“Sem música, a vida seria um erro.” – Nietzsche

Uma revolução. Algo que ninguém pode explicar, só sentir. Submissão involuntária, mas consciente. Força que desconsidera qualquer parede, obstáculo ou corpo, tendo como objetivo apenas a alma. Uma droga aos viciados. A máxima arte humana. Ah! Definições.

Infelizmente vou ter que discordar de Nietzsche, porque sem música, a vida não seria um erro, ela simplesmente não existiria. Ela carrega a essência do dizer, do mostrar, do enxergar, do respirar e se funde aos nossos ouvidos. Restaria, a nós humanos, apenas a sobrevivência pálida, póstuma. Condicionados a “sobreviver” o erro e reproduzi-lo.

A luz, ao vê-la, a transforma em duas para ficar mais clara, e a alma transcende refletindo, até mesmo, no nada. Mudado, sentido, submetido, “fantasmado” e viciado, prerrogativas requeridas para não correr o risco de errar o evitável e de transformar o ser em “ser”.  

Julho 27, 2008 Publicado por gelssu | Introspecção | | 1 Comentário

Qual tempo você vive?

Até algo tão complexo e essencial quanto à batida de um coração fica a mercê do tempo, mas incrivelmente nossa mente subverte e distorce essa “realidade”. Todos um dia já se defrontaram com o “tempo paradoxal” e percebemos o quanto ele nos deixa confuso, ficar entre a nostalgia, o agora e o “quanto falta” numa sensação única.

Quanto um segundo, dentre tantos na vida, pode ser importante? Um segundo pode separar “vencedores” de “perdedores”. Em um “segundo” pode-se sorrir, chorar, conseguir, morrer, vislumbrar os olhos de alguém, amar, nas suas mais diversas formas, ou seja, um intenso “segundo”. Pode-se passar várias eternidades para dizer tudo o que se pode fazer em um “segundo”.

 Não tenho a pretensão de conceituar a vida, não tenho significância para tal, mas muitas pessoas acreditam que viver é quantos segundos o seu coração pode bater, discordo, para mim seria quantas batidas o seu coração pode dar em um segundo.

 

 

 

 

 

 

Julho 20, 2008 Publicado por gelssu | Introspecção | | 2 Comentários